A pornografia e a écriture do fora de campo: o fantasma do olho do cu

(Nota do Editor: Este texto é ilustrado por imagens de conteúdo sexual que podem ser inapropriadas ou ofensivas para menores de 18 anos.) A Theodor Adorno e Adolfo Arrieta O que Lilith sussurra ao ouvido: interdito e latência Em Lilith (1964), de Robert Rossen, há um torneio de cavaleiros no qual o demônio esquizo Lilith, que seduz o personagem de Warren Beatty, apronta outra das suas: ela se aproxima de um menino e lhe promete algo ao ouvido que o deixa de olhos sequiosos e… CONTINUA

Esquizofrenia e figuração

Já sabemos ad nauseum que Psicose (1960) é a obra-matriz de Brian De Palma; a anamorfose, os objetos parciais dos corpos despedaçados pela câmara, as fantasmagorias da Origem: o cadinho infernalmente figurativo que aquele filme canonizou para a modernidade no cinema está dado, e foi rigorosamente estudado pelo cineasta em pelo menos treze filmes. O maneirismo de que De Palma é devedor em alguns filmes é o fruto apodrecido, fatalmente necessário, desta obsessão mórbida em cortejar os Pais, mas perversamente: encarnando-os dentro de si, despojos… CONTINUA

O outro em mim

Elle começa com um apelo do fora de campo: a tela negra, emoldurada pelo grito lancinante da estuprada; e, no contra-campo, uma advertência do fora de quadro: o close no olho do gato, que contempla aquilo de que só ouvíramos o grito. O estupro é diferido pelo incognoscível do olhar animal e pelo agonístico urro da vítima, duas formas de Logos que se acumpliciam com as Origens; uma história das profundezas começa a ser descrita aqui, e segundo o diapasão ditado por toda profundeza: cegos… CONTINUA