Cinemas da rede, no meio do redemoinho: da mão à rua, da rua à mão (2)

Esta publicação é a segunda parte do texto-conversa escrito por Álvaro Andrade, Juliano Gomes e Victor Guimarães. Se você está chegando agora, leia a primeira parte aqui: Cinemas da rede, no meio do redemoinho: da mão à rua, da rua à mão (1) Ao olhar em retrospecto para a última década de imagens fílmicas no Brasil, percebemos que se tornou insustentável para a crítica brasileira uma postura de negligência em relação a uma multidão de filmes realizados em todos os cantos do país, por realizadoras e… CONTINUA

Cinemas da rede, no meio do redemoinho: da mão à rua, da rua à mão (1)

Ao olhar em retrospecto para a última década de imagens fílmicas no Brasil, percebemos que se tornou insustentável para a crítica brasileira uma postura de negligência em relação a uma multidão de filmes realizados em todos os cantos do país, por realizadoras e realizadores diversos, que circulam diretamente por meio de plataformas online, sem a chancela dos festivais ou dos circuitos tradicionais de exibição. São filmes curtos, sem edital, sem crédito, sem certificado da Ancine, sem logo da Netflix, muitas vezes anônimos e sem título,… CONTINUA

Uma educação pela fenda e depois

Em 16 de março de 2020, ainda no início das medidas de isolamento em decorrência da pandemia no Brasil, um episódio aparentemente fortuito capturava a atenção do país: um brasileiro de origem haitiana – do qual ainda não sabemos sequer o nome – se infiltra entre uma pequena multidão bolsonarista para se dirigir ao presidente e sentenciar: “Bolsonaro, seu governo acabou”. A frase ressoaria nacionalmente, mas também a cena que a viu nascer: esse homem negro, rodeado por uma aglomeração branca que repete “mito, mito,… CONTINUA

Variações a partir de um autorretrato da crítica brasileira

Uma lista do tipo “melhores filmes” é sempre um equilíbrio instável entre o diletantismo cinéfilo e algo mais ambicioso, que diz respeito à constituição de um cânone artístico. Mais ou menos espontânea, independente do método com o qual seja construída, uma lista é sempre uma intervenção no presente, em direção simultânea ao passado e ao futuro. Traça um recorte do passado artístico permeado por visibilidades e ausências, inevitavelmente atravessado por relações de poder e pela construção histórica do gosto, ao mesmo tempo em que vislumbra… CONTINUA

Refundar esta terra

Luz nos Trópicos é feito de imagens das mais variadas feições, escalas, texturas e tons. Um motivo visual, no entanto, salta aos olhos por sua recorrência. Um rio estreito e curvo, cercado de mato e encimado pelo céu espelhado na água, é adentrado por uma câmera serpenteante e calma, cuja marcha adiante encampa um movimento de descoberta. Seu oposto simétrico também retorna uma e outra vez: um rio turvo é percorrido por um barco que recua rapidamente, deixando para trás a água tumultuosa e a… CONTINUA

Olho para o passado, corpo para o futuro

No nosso último editorial, publicado em abril, encerramos o texto falando da instabilidade da primeira pessoa do plural, um movimento do “nós”. Neste mesmo período, tivemos uma mudança na composição da editoria, pois Raul Arthuso deixou a revista, depois de trabalhar como editor desde 2016, primeiro com Fábio Andrade e depois sozinho. Seguimos agora com Ingá, Victor Guimarães e Juliano Gomes como núcleo de proposições, na tentativa de manter o rigor de olhar e de escrita consolidados na última década, mas buscando ampliar o leque… CONTINUA

Do trono de Tarcísio Meira à poltrona de Mario Frias

Independência ou Morte (Carlos Coimbra, 1972), emblemático sucesso de público à época, é tido historicamente como o melhor exemplar de um cinema oficialista feito durante a última ditadura civil-militar brasileira. Curiosamente, o filme é uma produção independente de Oswaldo Massaini, e não teve financiamento estatal. Com a destreza comercial de sempre, Massaini aproveitava o clima de festejo do sesquicentenário da Independência e o ufanismo do “milagre econômico” para lançar nas telas do país um drama histórico de qualidade, protagonizado por Tarcísio Meira (no papel de… CONTINUA

“A diferença na forma é um termômetro da luta” – Entrevista com militantes do canal Treta no Trampo

Os entregadores de aplicativo começam a dar corpo a uma figura política coletiva frente às novas formas de trabalho, ao patrão na “nuvem”, à corrosão do que conhecemos como emprego e direitos trabalhistas. Aqui na revista lançamos uma série de textos que interrogam as imagens produzidas no contexto: o melodrama dos aplicativos, o diálogo com o cinema militante histórico, a inventividade e o desvio de finalidade na produção múltipla e heterogênea dos vídeos pelos trabalhadores no corre do dia a dia. Fechando a série #visõesdatreta,… CONTINUA

A matemática do poema

A exibição conjunta no festival Ecrã de Telemundo (2018), filme dirigido pelo septuagenário artista norte-americano James Benning e co-escrito com a jovem atriz e cineasta argentina Sofía Brito, e de 中孚 61. A Verdade Interior (2019), filme-ensaio elaborado por Brito durante o processo de colaboração entre os dois, é uma oportunidade e tanto de imaginar o que pode significar um encontro em cinema. Em Telemundo, Sofía e James estão em cena, durante noventa minutos, em frente a uma televisão ligada no canal hispânico Telemundo, que… CONTINUA

Treta no trampo, cinema de breque

Na semana passada, Ingá puxou uma conversa aqui na revista a partir de uma série de peças publicitárias da Ifood, lançada em meio às movimentações dos entregadores de comida país afora, que se organizam para denunciar as condições de trabalho impostas por um regime contemporâneo de trabalho que vem sendo chamado de Gig Economy, ou “economia dos bicos”. A certa altura do texto, ela menciona o canal Treta no trampo, em cuja produção estaria sendo elaborado “um exercício documental radicalmente distinto e inventivo”. Entro na… CONTINUA