Essa maneira estranhamente esperançosa

[carta de Felipe André Silva para Pedro Maia de Brito, um dos diretores do filme] Pedro, no meu sonho de ontem o ano era 2030. Tentava te mandar um recado do futuro pra te dizer que nada mudou, nada melhorou, e nós não ficamos necessariamente mais fortes, mas voltamos a sonhar. Te lembrava, ainda que você já saiba disso, que nos últimos vinte anos tínhamos desaprendido os caminhos que levam a esse terreno onde tudo é possível, tudo é da lei, e às vezes, é… CONTINUA

A lata de lixo da história

1. Em meio a lapsos de alegria, crescimento econômico e arroubos de revolução, os anos 2000 e 2010 viram acontecer uma espécie de “cinema festivo” que celebrava, geralmente a partir de corpos jovens, energias relegadas a segundo plano por muitos anos. Talvez por seu caráter individual, talvez pela sua ingenuidade. Fato é que, por exemplo no Brasil, aconteceu uma movimentação interessante, cujos traços podem ser rastreados em vários lugares: na Universidade Federal Fluminense, de onde curtas como Hiperselva (Helena Lessa, Jorge Polo, Lucas Andrade e… CONTINUA

Um cinema da culpa?

Felipe André: É notável como se instaurou uma espécie de “cinema da culpa” nos círculos da produção cinematográfica mundo afora durante os últimos dez, talvez cinco anos. Criadores que não necessariamente teriam interesse em determinados assuntos ou pautas encontraram na possibilidade de falar sobre ou “oferecer voz” a corpos dissidentes um bom combo de autopromoção e mea-culpa. Para Onde Voam as Feiticeiras é um exemplo cabal: duas realizadoras brancas e um realizador branco reúnem um grupo heterogêneo de artistas e militantes para criar um happening… CONTINUA