Cinética Podcast #5 – “Nós”, de Jordan Peele

No quinto episódio do Cinética Podcast, a conversa é sobre Nós, mais novo trabalho do diretor Jordan Peele. Depois do grande sucesso de Corra!, que deu o Oscar de roteiro original para o cineasta em 2018, Peele volta com um filme enigmático e instigante, que é analisado no programa por Marcelo Miranda, Raul Arthuso e Juliano Gomes. Este episódio é dedicado a Beth Carvalho. CINÉTICA NAS REDES Para ler, curtir, enviar perguntas, tirar dúvidas, fazer críticas e sugestões: Site oficial – www.revistacinetica.com.br e-mail – *protected email* Facebook – www.facebook.com/revistacinetica/ Twitter – twitter.com/revistacinetica… CONTINUA

11 estrofes sobre Nós

1 “Nós” é, hoje, umas das palavras mais difíceis de se dizer. Ao passo que a cisão que funda o que se acostumou a chamar de “mundo” se torna mais e mais evidente, traçar uma “primeira pessoa” se torna uma ação cuja violência se torna quase insuportável. Nós quem? Nós como? O nó que repousa sobre essa idéia é o da consciência das radicais desigualdades que fundam coletividades (como a ideia de nação, por exemplo). O espaço aberto pela nitidez dessa fratura abriga uma torrente… CONTINUA

Material, tenaz

Apesar do lugar de destaque que a obra de Frederick Wiseman alcançou neste século XXI – depois de mais de 50 anos de atividade e mais de quatro dezenas de filmes –, a recepção de sua obra ainda se dá em meio a bastante ruído. A fama de “cinema observacional” plasmada na imagem da “mosca na parede” da observação neutra acaba por nublar as principais armas de um dos maiores artistas de todos os tempos, não só do campo do cinema. Enclausurar Wiseman numa postura… CONTINUA

“Saravá, my brother”

Antepalavra: Nos ciclos de apagamento e desmonte compulsório das instituições brasileiras, a dimensão da memória, inerente a qualquer ação cultural, vem com mais força à tona como sentimento coletivo. Tudo parece mais arriscado a ser o último filme, o último edital, o último texto, o último festival… Diante da sensação de fim de ciclo, o mergulho histórico é talvez uma das ações mais urgentes como munição para o porvir. Além disso, sinto que o meio cinematográfico brasileiro corre o risco de encarcerar sua própria perspectiva… CONTINUA

Carta ao Heitor (ou Desculpe a bagunça ou Ao mesmo tempo)

Heitor, Há mais de seis meses você publicou no Urso de Lata o texto O que pode ser o cinema, e o cinema negro, brasileiro em 2018. Fiquei muito mexido, “solicitado” mesmo, pelo texto. Fiquei com a mão querendo te responder. (Outras águas passaram por aqui.) Meio ano já foi, mas acredito que as perguntas ainda estão aí na rua. Elenquei aqui abaixo umas notas numeradas. Algumas respondem diretamente pontos que teu texto levanta, outras são coisas que a leitura do teu texto me disparou… CONTINUA

Variar a vida em alto astral

Uma recente votação feita por um grupo de críticos, estudiosos e profissionais do cinema – africanos em sua maioria – no Festival de Cine Africano de Tarifa-Tangier, elegeu o primeiro longa do senegalês Djibril Diop Mambéty, Touki Bouki como o mais importante já realizado no continente. Não é raro que o filme de 1973 seja colocado como marco do cinema africano. Sua recente restauração e circulação digital em alta resolução possibilitou às plateias recentes acesso ao filme, o que por décadas era bastante difícil. A… CONTINUA

A cena muda

A descrição da sessão de estréia de Era uma vez Brasília em sua cidade-título sugeriria ter sido uma ocasião muito adequada ao que o filme sugere buscar. Sala lotada, pessoas no chão, o diretor de Branco Sai Preto Fica apresenta seu mais recente filme. Começa a projeção e um problema se produz: Adirley Queirós – cuja imagem foi amplamente fetichizada por um certo olhar classicista que o elegeu como cineasta da quebrada da temporada, como Messias encarregado de encenar “nossa” revanche contra “eles” – lançou… CONTINUA

Mas tinha que respirar

A presença do longa Café com Canela aqui no Festival de Brasília, especificamente disposto na mostra competitiva depois de Vazante e Pendular, provoca uma leitura de mudança de chave no cinema brasileiro. Independente dos seus méritos, os primeiros dois são filmes de fim de linha, de esgotamento de processos que chegaram ao limite. Não por acaso, o trajeto dos dois é marcado por grandes festivais europeus e coproduções internacionais. Eles carregam em si marcas de um processo de longo prazo, que tem em Terra Estrangeira… CONTINUA

Câmera de espelhos

Pendular, terceiro longa dirigido por Júlia Murat, tem um ponto de partida simples: um casal de artistas, aparentando entre trinta e quarenta anos, brancos, sem nome, divide espaço num galpão no centro da cidade do Rio. O filme vai de uma situação de equilíbrio inicial entre os dois, quando uma linha é demarcada neste amplo espaço, até o momento da crise da relação, dividindo-se em quatro capítulos. Pendular cria um jogo de ressonâncias e espelhamentos da situação afetiva do casal por meio de seus demais… CONTINUA

A fita branca

As mãos que escrevem este texto estão contaminadas por uma angústia que um filme como Vazante suscita. Se o filme escolhe falar de um episódio de 1821, sobre a terra encharcada de sangue da Minas Gerais colonial, esse sangue reversamente bombeia, como que por vontade própria, através dessas mãos que também não lhe pertencem, mas que aqui encontram morada, ou melhor: escoamento. Nessa torrente pontual, pedem passagem também conversas de corredor, memórias de um debate, e um contraste que me provocou uma imprevisível surpresa aos… CONTINUA