Ao redor de Vitalina Varela

Já faz algum tempo que tenho buscado pensar outras formas e métodos de escrita crítica que quebrem um certo modelo muito individualista – dado que este é um mal do nosso tempo. De certa forma, experimentar escrever junto é registrar também outras coisas, principalmente o que não nos é “próprio”. Poder reagir ir na onda do outro, se relacionar com o que não havíamos pensado é oferecer ao leitor um outro tipo de material, que me parece fértil como experiência de encontros com obras. Não… CONTINUA

Amor pelas torrentes e liames

Nascido em 1987, Eduardo Williams é um dos jovens diretores atuais cuja obra possui uma inegável consistência construída por meio de um constante risco. Esse seu primeiro passo em longa duração guarda muitas semelhanças com seus cinco curtas-metragens anteriores, que estabeleceram a justa fama do artista argentino em vários dos principais festivais do mundo. O Auge do Humano é mais um capítulo de sua exploração das múltiplas dimensões do que é ser jovem no mundo de hoje. Aqui, como nos filmes anteriores, o que se… CONTINUA

“Arte adensa a dúvida” – Entrevista com Gabriel Mascaro

A obra de Gabriel Mascaro é um dos raros casos entre cineastas brasileiros à qual a redação da Cinética devotou, em sua história, um estudo contínuo e sistemático, que pode ser rastreado nas diferentes fases da revista. Seus filmes foram vistos entre nós ora com admiração, ora com reserva, ora com profundo distanciamento crítico, mas raramente com indiferença. Talvez porque os filmes de Mascaro, além de provocadores e inquietantes a cada vez (a ponto de motivarem a escrita de três textos críticos sobre a mesma… CONTINUA

A chance para sonhar, a chance para nascer

A aceleração do Brasil na direção de uma intensa experimentação geomicropolítica necroliberal-colonial pressiona as proposições artísticas de resistência para um modelo que, levado ao paroxismo, tende ao monotemático e ao descrente. O que se chama freqüentemente de “urgência” significa concretamente uma expectativa de efeitos de rápida velocidade cognitiva que estejam pré-prontos dentro do que é esperado e conhecido no mapa moral. Não por acaso, nos últimos anos abundam filmes que mostram cartelas com estatísticas, ou que se apóiam em seu valor de evidência e “necessidade”.… CONTINUA

Cinética Podcast #5 – “Nós”, de Jordan Peele

No quinto episódio do Cinética Podcast, a conversa é sobre Nós, mais novo trabalho do diretor Jordan Peele. Depois do grande sucesso de Corra!, que deu o Oscar de roteiro original para o cineasta em 2018, Peele volta com um filme enigmático e instigante, que é analisado no programa por Marcelo Miranda, Raul Arthuso e Juliano Gomes. Este episódio é dedicado a Beth Carvalho. CINÉTICA NAS REDES Para ler, curtir, enviar perguntas, tirar dúvidas, fazer críticas e sugestões: Site oficial – www.revistacinetica.com.br e-mail – *protected email* Facebook – www.facebook.com/revistacinetica/ Twitter – twitter.com/revistacinetica… CONTINUA

11 estrofes sobre Nós

1 “Nós” é, hoje, umas das palavras mais difíceis de se dizer. Ao passo que a cisão que funda o que se acostumou a chamar de “mundo” se torna mais e mais evidente, traçar uma “primeira pessoa” se torna uma ação cuja violência se torna quase insuportável. Nós quem? Nós como? O nó que repousa sobre essa idéia é o da consciência das radicais desigualdades que fundam coletividades (como a ideia de nação, por exemplo). O espaço aberto pela nitidez dessa fratura abriga uma torrente… CONTINUA

Material, tenaz

Apesar do lugar de destaque que a obra de Frederick Wiseman alcançou neste século XXI – depois de mais de 50 anos de atividade e mais de quatro dezenas de filmes –, a recepção de sua obra ainda se dá em meio a bastante ruído. A fama de “cinema observacional” plasmada na imagem da “mosca na parede” da observação neutra acaba por nublar as principais armas de um dos maiores artistas de todos os tempos, não só do campo do cinema. Enclausurar Wiseman numa postura… CONTINUA

“Saravá, my brother”

Antepalavra: Nos ciclos de apagamento e desmonte compulsório das instituições brasileiras, a dimensão da memória, inerente a qualquer ação cultural, vem com mais força à tona como sentimento coletivo. Tudo parece mais arriscado a ser o último filme, o último edital, o último texto, o último festival… Diante da sensação de fim de ciclo, o mergulho histórico é talvez uma das ações mais urgentes como munição para o porvir. Além disso, sinto que o meio cinematográfico brasileiro corre o risco de encarcerar sua própria perspectiva… CONTINUA

Carta ao Heitor (ou Desculpe a bagunça ou Ao mesmo tempo)

Heitor, Há mais de seis meses você publicou no Urso de Lata o texto O que pode ser o cinema, e o cinema negro, brasileiro em 2018. Fiquei muito mexido, “solicitado” mesmo, pelo texto. Fiquei com a mão querendo te responder. (Outras águas passaram por aqui.) Meio ano já foi, mas acredito que as perguntas ainda estão aí na rua. Elenquei aqui abaixo umas notas numeradas. Algumas respondem diretamente pontos que teu texto levanta, outras são coisas que a leitura do teu texto me disparou… CONTINUA

Variar a vida em alto astral

Uma recente votação feita por um grupo de críticos, estudiosos e profissionais do cinema – africanos em sua maioria – no Festival de Cine Africano de Tarifa-Tangier, elegeu o primeiro longa do senegalês Djibril Diop Mambéty, Touki Bouki como o mais importante já realizado no continente. Não é raro que o filme de 1973 seja colocado como marco do cinema africano. Sua recente restauração e circulação digital em alta resolução possibilitou às plateias recentes acesso ao filme, o que por décadas era bastante difícil. A… CONTINUA