Gesto fundamental

Não dá para falar de Bandeira de Retalhos sem passar pelo violão de seu diretor. Na verdade, não dá para falar da história da arte moderna no Brasil sem ir a ele. Violão perdido, porque, arremessado com justiça a uma plateia estúpida, foi rebaixado a gesto desvairado dum artista em fúria. Enfurecido Sérgio Ricardo estava, ali no 3o Festival de Música Popular Brasileira da Record, em 1967, pois o mimado público o impedia de tocar “Beto Bom de Bola” por puro fricote de querer ouvir… CONTINUA

A imagem da vida

Todos os Paulos do Mundo começa com voz off de seu biografado recitando o mito da Torre de Babel, sobre a proliferação dos povos pela Terra, com suas línguas e culturas distintas confundindo-se, em desentendimento. Extraída de 500 Almas (2004), de Joel Pizzini, a fala aparece agora, neste longa de Rodrigo de Oliveira e Gustavo Ribeiro, imantada ao começo de A Vida Provisória (1968), de Maurício Gomes Leite. Na cena, um plongée avista a cidade do alto e mergulha até Paulo José, que assiste mais… CONTINUA

O Paraíso segundo Murnau

Tabu, último trabalho de F.W. Murnau, morto em acidente automobilístico dias antes da estreia do filme, em 1931, encerra a carreira do diretor como a nota final de uma trajetória cinematográfica: a depuração de um estilo e de um olhar que acabam protocolando, em quase metalinguagem, a escrita de seu criador e, também, a do cinema até ali. A trágica história de amor entre Matahi e Reri, filmada in loco no Pacífico Sul e baseada numa iconografia e numa pulsação motora típicas dos contos de… CONTINUA