“Arte adensa a dúvida” – Entrevista com Gabriel Mascaro

A obra de Gabriel Mascaro é um dos raros casos entre cineastas brasileiros à qual a redação da Cinética devotou, em sua história, um estudo contínuo e sistemático, que pode ser rastreado nas diferentes fases da revista. Seus filmes foram vistos entre nós ora com admiração, ora com reserva, ora com profundo distanciamento crítico, mas raramente com indiferença. Talvez porque os filmes de Mascaro, além de provocadores e inquietantes a cada vez (a ponto de motivarem a escrita de três textos críticos sobre a mesma… CONTINUA

A chance para sonhar, a chance para nascer

A aceleração do Brasil na direção de uma intensa experimentação geomicropolítica necroliberal-colonial pressiona as proposições artísticas de resistência para um modelo que, levado ao paroxismo, tende ao monotemático e ao descrente. O que se chama freqüentemente de “urgência” significa concretamente uma expectativa de efeitos de rápida velocidade cognitiva que estejam pré-prontos dentro do que é esperado e conhecido no mapa moral. Não por acaso, nos últimos anos abundam filmes que mostram cartelas com estatísticas, ou que se apóiam em seu valor de evidência e “necessidade”.… CONTINUA