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agenda Fevereiro 2010 Começou
ontem, dia 9 de fevereiro, e continua até o dia 28 deste mês, no
CCBB-RJ, a mostra Zona Livre, cuja programação recheada de informações
sobre os filmes pode
ser vista aqui. Extensão de uma seção do festival portoalegrense Cine Esquema
Novo, a mostra representa um sopro mais que bem vindo de novidades no calendário
regular (torcemos, pelo menos) de eventos de cinema, representando uma alternativa
às curadorias pouco focadas dos gigantes do gênero (Festival do Rio, Mostra de
SP). Mas, além de trazer filmes a que estes não deram atenção, o mais legal é
mesmo como a mostra sinaliza de várias formas para um novo tempo da cinefilia,
já que sua curadoria é quase toda feita e pensada através do acesso a uma série
de títulos pela internet – provando que hoje pessoas como seus jovens curadores
Bruno Carboni e Davi Pretto podem conhecer o cinema internacional profundamente
sem viajar pelo mundo nem ser refém das escolhas de distribuidoras ou selecionadores
dos festivais tradicionais. O movimento que a mostra faz, porém, de pegar estes
filmes vistos (e, portanto, disponíveis) na web e fazer questão de trazê-los para
uma sala de cinema deixa claro que a internet não precisa matar o cinema – muito
pelo contrário. Na abertura da mostra, um outro
exemplo de inquietação e criatividade: na impossibilidade de trazer seus convidados
internacionais, foi organizado um debate via Skype com o diretor Harmony Korine,
cujo recentíssimo Trash Humpers havia sido exibido. O debate, além de funcionar
perfeitamente na parte tecnológica (com tradução simultânea, imagem do diretor
na tela do cinema, etc), permitiu uma curiosa sensação de conversar com um artista
literalmente “na casa dele”, o que cria uma série de bem vindos ruídos no tradicional
modelo de debates, permitindo uma imersão no universo do cineasta para além do
filme em si. Haverá outros dois debates semelhantes na mostra, e esta é desde
já uma dessas idéias que sabemos que vai ficar. A lamentar somente o fato de que
a maior parte dos filmes será exibido em DVD (só 3 passam em 35mm – embora alguns
não tenham a película como formato final, de qualquer jeito, como o filme de Korine,
filmado e editado em VHS), nos projetores nem tão incríveis assim do CCBB. No
entanto, além de ser algo compreensível para uma mostra que realiza sua primeira
edição com orçamento limitado, é preciso ser notado que pelo menos a mostra não
esconde essa informação, e diz qual o formato original e de exibição de cada filme
de forma bem clara – ao contrário de alguns dos seus primos mais ricos. De qualquer
maneira, este fato (que torcemos possa ser minorizado em anos futuros) não diminui
a importância dos vários gestos políticos compreendidos na realização deste evento
que começa o ano com o pé direito no Rio. (Eduardo
Valente)
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